quarta-feira, 14 de dezembro de 2016

POR QUE ESCOLHI TURISMO?





Estou achando que a vida ultimamente está me dando uma lição de boas coisas! Como se dissesse: Valeu passar por tudo, sem decidir morar no drama. Como se eu ouvisse: Tenho muito orgulho de você, não se vendeu, não quis qualquer coisa. NÃO foram as respostas às coisas erradas que viu, SIM é seu resultado final, de não aceitar qualquer coisa, e que não fica com qualquer coisa em termos de atitudes e resultados! Quer ser grande, faça-se grande, mas isso começa nos pequenos detalhes de atitude e consciência!  

Em 2005, estava concluindo o ensino médio, cheias de duvidas e questionamentos, não tinha noção do que viria pela frente em minha vida, nos últimos meses do terceiro ano não conseguia ir para a escola, cai em uma tristeza profunda, medos me transbordavam, perdi algumas semanas de aula, minha mãe me batia dizendo que era frescura minha, mas a vontade era só de me esconder.

Enfim, terminei o ensino médio com a pergunta: “E agora?”, fui buscar meu primeiro emprego, na época não existia esses programas e facilidades para os jovens. Em um anúncio do jornal, vi que uma famosa loja de roupas estava chegando à cidade e a seleção para as vendedoras ocorria no Marina Park Hotel, fui bastante entusiasmada e otimista, não sabia nada de como me comportar em entrevistas, ainda era menor de idade, chegando vi todas as concorrentes bem vestidas e maquiadas e eu com uma calça já bastante usada e uma blusa verde musgo que ainda tenho e que todas as vezes que à olho me lembro desse dia; dia este que me marcou, quando cheguei na porta do salão que ocorria a seleção, o segurança olhou para mim de cima a baixo perguntando o que eu fazia ali, mandando eu voltar para casa estudar, dizendo que eu não teria chance alguma de passar na entrevista, que ainda era menor de idade e que nunca nem conseguiria trabalhar naquele hotel, falando tudo isso rindo e arrancando risadas das outras concorrentes, fui caminhando pelo corredor chorando bastante olhando para dentro de um dos restaurantes, a Casa de Chá, prometendo para mim mesma que um dia trabalharia lá.



Ao mesmo tempo, fazia um cursinho gratuito, numa barraquinha do Centro Paroquial do bairro cedido à igreja, onde não tinha paredes, no inverno todo mundo ia para o centro da barraca para se proteger da chuva, os professores voluntários se abdicavam das suas noites de descanso para nos ajudar, esses que guardo todos no coração, Evandro Menezes, João, Nathiel, Dickson, Felipe Eduardo, Patrícia Souza e outros. Em 2006, o engresso na faculdade ainda não era referenciado pelo ENEM, tínhamos que ler os dez livros que a UFC pedia para fazer uma boa prova, como não tinha o dinheiro para comprá-los me virava com os resumos do cursinho. Na minha primeira tentativa fiquei em terceiro lugar entre os classificáveis, onde ninguém desistiu para o curso de Letras-Português, na segunda vez não fiquei nem entre os classificáveis e na terceira não passei na primeira fase do vestibular da UECE, desisti.

Simultaneamente, frequentava um grupo de jovens da igreja, o Angus, grupo este que me deram muitos momentos de paz, alegria e aproximação mais forte com Deus, as outras pessoas que integravam o grupo tornaram-se pessoas maravilhosas, que hoje quase não tenho contato, Aline Reis e Brito, Ivna, Nertan, Luck, Diego, Felipe, Samuel, Henrique. Me lembro dos sábados que ficávamos na pracinha atrás da rua onde moro, conversando e nos descontraindo.



A busca de um caminho para seguir não parava, trabalhei como balconista numa papelaria, instrutora de informática, dava aulas de reforço escolar, mais todos avulsamente, sem perspectiva de um futuro e com salários baixos, onde não dava nem para comprar um ingresso dos meus artistas favoritos, a dupla Sandy e Junior, que veio fazer seu último show em dupla na cidade, onde o ingresso custava oitenta reais, pedi à minha mãe para completar o valor já que no emprego que eu estava no momento ganhava apenas cinquenta reais por mês, por fim minha mãe não emprestou e não fui, a pouco tempo ela me perguntou do porquê não ter ido àquele show e disse o motivo (ela esta com remorso até agora, rs).

No ano de 2007, muitas pessoas participavam de seleções de uma empresa de telefonia, participei de sete em que não passava da primeira fase, pelo motivo do meu problema nas cordas vocais, como nasci de parto fórceps, entortou meu pescoço e prejudicou minha dicção, tenho que forçar para falar em certos momentos (esse é o porquê de não falar muito, não é por ser tímida).

Mais uma vez, olhando o jornal me deparei com um anúncio de um hotel precisando de garçons de eventos sem experiência, era o Marina Park Hotel, minha mãe insistiu para que eu fosse, mas o medo prevalecia, com muita insistência fui. Logo na primeira entrevista foram logo destacando o perfil que necessitavam, os futuros funcionários teriam que se abdicar dos finais de semana e trabalhar bastante sem descanso, o emprego perfeito para mim, já que não tinha vida social.

Comecei como auxiliar de cummin, aos poucos fui crescendo e me destacando passei para cummin, hostess, garçonete, cheguei até a ser chefe de fila. Ficava em ‘welcome drinks’ e trabalhei em todos os tipos de eventos durante os quatros anos que se seguiram, casamentos, aniversários, coquetéis, brunch, congressos simpósios, jantares importantes e nos restaurantes do hotel, um deles a Casa de chá onde um tempo atrás passei com lágrimas nos olhos, jurando que um dia trabalharia nela, consegui.


A arte do serviço e do bem-receber me conquistou, trabalhava arduamente e sem descanso mais feliz, nos intervalos de um evento e outro do hotel trabalhava em outros Buffett pequenos e de grandes portes, um dos momentos que destaco nessas minhas loucuras de trabalho foi em um evento que ocorreu no Siara Hall, em que fui dentro de um caminhão baú quase escuro ao lado de outros garçons e garçonetes, onde a cada curva que o caminhão fazia os dois botijões de gás e as peças de vidro que se encontram no mesmo compartimento se movimentavam, quando o evento acabou às quatro da manhã, eu e minhas amigas tomamos aquele velho pó de guaraná com rebite no Terminal do Papicu, para trabalharmos em mais uma feijoada do Siriguela até as sete horas da noite, neste dia trabalhei 28 horas seguidas sem descanso, momentos inesquecíveis e loucos.



Uma das lições que aprendi nesse período é que, “Só podemos criticar o trabalho do outro se conhecermos”, e foi assim que comecei a me dedicar aos setores que se estendia a minha volta, busquei me aperfeiçoar na minha função com cursos profissionalizantes (foi nesse período em que conheci o George no SENAC TURISMO que me levou para trabalhar no Vila Galé Resort), fiz cursos para a tesouraria, RH, almoxarife, secretariado, auditoria, copa, caixa e bar. Mesmo assim, apaixonada pelo o que estava fazendo, procurei outros horizontes, tinha que assinar minha carteira, trabalhei alguns meses numa empresa de calçados até me demitirem e voltei pra o hotel. Nesse meio tempo, fiz cursos de inglês e espanhol, os dois incompletos.




Quando no segundo semestre de 2012, surgiu a oportunidade de trabalhar na área que escolhi de carteira assinada, fiquei feliz e triste ao mesmo tempo, em deixar o hotel que me deu tantas oportunidades e amizades com pessoas maravilhosas que conheci, Rondinele, Katiane, Jeice, Rose, Ruth, Clemilson, Danila, Luciana, Eveline e muitos outros, mas tinha que seguir em frente e obedecer o capitalismo. O hotel, diferente dos que trabalhei, me estagnou e utilizou tudo que aprendi e conquistei sem me valorizar. Com a ganância de crescer profissionalmente, este hotel me paralisou, me deixando desmotivada a cada dia nos últimos quatro anos. 



Como não conseguia crescer internamente, fui buscar a minha satisfação em outros ambientes, no Ensino Superior.  Uma colega, na qual tenho muito apreço, me convenceu a fazer Turismo ao invés de Hotelaria e me apresentou a UNICE. A instituição me mostrou que o Turismo não é só a hotelaria, como eu pensava e que poderia conquistar meu espaço em outros ambientes. Com professores maravilhosos, me formei e agora vou lutar por um espaço e mudar a minha vida e mostrar para muitas pessoas que não sou invisível e que posso mais.


Resolvi escrever essas linhas para mostrar que podemos sim desistir do que almejamos, mas se for para renunciar, que seja por algo melhor na frente. Irei desistir da hotelaria, contudo os meus planos estão sendo pautados nos mínimos detalhes para encontrar minha felicidade.


OBRIGADA POR LEREM!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

2 comentários:

  1. Luzia!
    Meus parabéns por chegar tão longe e ainda proporcionar outras pessoas a nunca desistir.

    Sou tua fã!

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  2. Que linda história de vida, Luzia! Você é aquela pessoa que simboliza a esperança, a determinação e o idealismo. Fico feliz em ter você como aluna e mais feliz ainda por ter sido sua orientadora. Você vai longe! O Turismo precisa de pessoas como você!
    Sucesso,semore!
    Cheiros

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