A
frase: “Faça o que você ama” nunca esteve tão conflituosa nos meus pensamentos
nos últimos meses. A última vez que escrevi no blog foi no final do ano, e
desde então me via ocupada correndo atrás dos meus sonhos, me desfiz do emprego
que não colhia frutos há algum tempo, pelo contrário, me causava prejuízos emocionais,
físicos, financeiros (já que as funções que ocupava não coincidiam mais com o
salário) e futuros, abdiquei-me do cotidiano para que me sobrasse mais tempo
para o processo de construção das novas oportunidades que surgisse, em vão.
É
coerente falar que, tudo que fazemos para o nosso crescimento não seja perda de
tempo, porém entre o fazer e o concretizar é uma batalha diária com você e com
a sociedade. Digo isto pelo fato que não adianta você crescer intelectualmente,
investir seu tempo, dinheiro, sanidade mental se a sociedade não investe em
você, o que adianta fazer faculdade, pós-graduação, cursos, qualificações,
capacitações e ganhar o mesmo salário que uma pessoa que possui apenas o Ensino
Médio. Não vim aqui no meu blog pessoal desmerecer nenhuma profissão,
oportunidades ou escolhas de ninguém, depósito meu manifesto para questionar a
frase e reformulá-la pelo menos para mim: “Faça o que você ama, caso convenha
com o que o mercado busca”.
A
maioria das empresas atualmente almeja somente as suas habilidades de
polivalente pagando-lhe um salário, não as suas ambições, as competições por um
emprego dos sonhos (em termos financeiros) acarreta na busca de qualificações
que o mercado exige, não no que você almeja. “Por que quer deixar a sua área?”,
“Trabalha tanto tempo nessa área, por quê a mudança?”, “Para essa função requer
experiência”, “Não adianta recomeçar do zero, os profissionais mais capacitados
irão ocupar a vaga”, “Por menor que seja o seu salário deve continuar como
garçonete” e após escutar essas frases nos últimos meses em busca de recolocação
profissional para melhorar de vida e poder continuar meu sonho digo que: “Os
incapacitados (do mercado) devem baixar a cabeça e seguir a sociedade do
automático”.
Seguindo
essa sociedade das não oportunidades vou prosseguir os meus sonhos de levantar
o meu canudo do Mestrado e do Doutorado carregando bandejas, trabalhando no
caixa, montando coffee breaks, preparando coquetéis e recebendo apenas um
salário, mesmo que necessite fazer horas extras nas folgas para pagar as
mensalidades, livros e impressões de trabalho e adiar os sonhos que não convêm
com a minha realidade.
Não
estou escrevendo isso para que alguém desista das suas aspirações e procure uma
função que a sociedade quer, entretanto se não convier com que o mercado
procura poderá realizá-la mais tarde, sem precisar estar dentro de um ônibus
por duas horas entre terminais, ou ouvindo deboche das pessoas “Cadê o seu
carro?”, “Você precisa se cuidar mais”, aproveitar o seu dia de folga em um dia
de praia, poder viajar e comprar o que almeja.
O
sucesso está do lado oposto da realização, ou então em fases diferentes da
vida, realizar-se financeiramente e profissionalmente ao mesmo tempo para que
se obtenha sucesso depende de sorte, depende de oportunidades, depende do que
você é. Uma vez perguntei a uma conhecida o que eu deveria fazer para crescer
profissionalmente e conseguir ser reconhecida e ela me respondeu: “Se
prostituir, seja o que você não é, coloque uma mascara, seja falsa e obterá
êxito no mercado”. A frase: “Faça o que você ama” nunca esteve tão distante nos
meus próximos projetos.
Se
estou seguindo o conselho da minha colega? Não. Continuo com a minha
integridade moral, peregrinando devagar, se vou chegar a minha realização plena?
Não sei, porém estou sendo eu mesma, sem me machucar e magoar ninguém, o mundo trará
o que mereço. O porquê o nome deste post é “Dia vinte e sete de Setembro”? Pelo
motivo de está louca para comemorar este dia pelos meus méritos.


Nenhum comentário:
Postar um comentário