sábado, 1 de abril de 2017

PALESTRA IDENTIDADE E MARKETING DE DESTINOS TURÍSTICOS - OPINIÃO CRÍTICA






No ultimo dia 28 de Março ocorreu no auditório do SEBRAE (Serviço Brasileiro de Apoio às Micros e Pequenas Empresas), a palestra de Marcelo Safadi arquiteto, urbanista e gestor publico abrindo o ciclo de palestras do Conselho Empresarial de Turismo e Hospitalidade (CETUR), com sua vasta experiência na questão ambiental, com consultorias de Ecoturismo, Turismo sustentável em mais de 100 empreendimentos e destinos do Brasil, sendo também presidente do Fórum Nacional dos Secretários e Dirigentes Estaduais de Turismo – FORNATUR 2005/2006, atualmente é o Superintendente Executivo de Assuntos Metropolitanos do Estado de Goiás.


Focando no Estado do Ceará ele mostrou para um publico formados por autoridades como presidente do SENAC, do SEBARE, da ABIH, da Fecomercio, do Convention e Visitors Bureau, estudantes de Turismo e publico em geral de como o marketing em uma localidade pode influenciar ou modificar sua identidade mediante as pessoas que a visitam e como a venda desse serviço que é o Turismo chega aos consumidores com o tema “Identidade e Marketing nos destinos turísticos”.


A economia de um país é relacionada através dos setores (primário, secundário e terciário) através da matéria-prima, modos de produção e serviços, no Turismo, uma atividade socioeconômica Safadi apresentou mais dois setores, o quartenário com a inovação em que o Turismo esta sempre atrelado para continuar seu movimento através de sua operação de vendas e o quinário que por meio do marketing que é feito em um produto intangível o consumidor tem suas experiências na localidade escolhida.



Entendo por marketing um conjunto de atividades que incrementam um produto ou serviço utilizando estudos e medidas que determinam uma estratégia para a sua sustentação garantindo seu êxito comercial. O marketing turístico tem basicamente o mesmo conceito com o acréscimo de que também é estudado o sociológico e o psicológico dos consumidores durante as fases do ciclo de vida do produto turístico.


Os novos desafios são feitos com novas estratégias, o mercado desruptivo teve sua forma de divulgação modificado com a internet cada dia mais presente no dia a dia dos consumidores que tem suas duvidas e pesquisas por produtos mais próximos e em tempo real ao invés de buscarem folders, revistas.


A identidade e marketing é um dos grandes desafios de promover, as estratégias comuns não podem ser utilizadas em todos os segmentos, em todos os lugares e produtos, a base de dados e pesquisa não é feita 100% pela forma de atuação dos trades que não tem seus arranjos divulgados para uma pesquisa, para uma localidade se desenvolver e incrementá-la é necessário descobrir o que os turistas buscam e se encantam.


O trade turístico é caracterizado pelos meios de hospedagem, bares, restaurantes, transporte, agencia de viagens, centro de convenções, feiras de negócios, loja de souvenir e empresas ligadas indiretamente com o Turismo. Os dados que esses equipamentos podem fornecer favorece para saber qual o perfil do turista, suas necessidades, poder econômico e interesses.  Em Lisboa apresenta-se um observatório em que esses dados são introduzidos para se trabalhar melhor a localidade, os produtos e serviços turísticos e comercializar o destino.


Se todos os destinos, segmentos e equipamentos trabalhassem em comum para suprir a necessidade do turista, talvez não existisse a degradação do espaço, a aculturação e outros impactos negativos que o Turismo traz sendo mal planejado, o turista quer estar na paisagem que é divulgada, comer a comida típica que se é mostrada, olhar a imagem que idealiza quando se é falado do destino, usar o artesanato para entrar na essência do local, ouvir/dançar a musica da região, saborear a gastronomia, curtir o lugar depois de seu evento, nadar/ surfar na praia sem o medo de ser imprópria ou não para tal atividade. O turismologo é o planejador e analisador para que o serviço seja bem articulado e que levem os turistas a pontos da cidade que jamais poderiam imaginar uma atividade turística naquele local para que ele possa conhecer o lugar visitado e esse espaço tenha seus equipamentos melhorados para o bem da comunidade de forma sustentável.


A internet é a ferramenta mais utilizada hoje em dia para a busca de produtos e serviços, empresas apostam em seus feedbacks para fazer propaganda do seu produto. Comprovando suas afirmações em imagens em sites de buscas Safadi mostrou como o Estado do Ceará e a cidade de Fortaleza é vista, sua orla marítima, o sol e o mar são destacados pelo céu sem nenhuma nuvem e o mar azul, ao se fazer à busca por imagens do Sertão do Ceará a paleta de cores se modifica por tons terrosos, por pessoas que vivem nessas localidades, mas sem deixar de lado a beleza que as imagens trazem apesar de impactar. Logo em seguida, viu-se como Jericoacoara tem seu panorama exposto, seguindo os moldes das imagens do Ceará e Fortaleza diferenciando apenas por suas redes, a arvore da preguiça, a pedra furada, Jericoacoara é vendida como uma praia desértica, mas não é bem assim o que os turistas encontram ao chegar na vila dos pescadores. Ao entrar no site da CVC, uma das maiores operadoras de Turismo do país, a imagem de divulgação da cidade de Fortaleza é a mesma de Jericoacoara, a jangada símbolo do Ceará.


As redes sociais é a forma em que as pessoas mostram como estão felizes em suas viagens, no entanto elas não colocam o destino como protagonista e sim o sentimento de prazer e satisfação em esta naquele local, com as hastags (#) os destinos turísticos são divulgados com uma rapidez pelos seus próprios consumidores nas redes sociais.




Em outro ponto da palestra Marcelo Safadi apresentou seu empreendimento em Pirenópolis- GO, uma pousada com 11 UH’s que possui um atendimento diferenciado como ele mesmo assinalou, seu café da manhã é servido ate às 18hs trazendo contentamento aos hospedes, os colaboradores que possui são todos formados em gastronomia por assim ele dizer que por terem o prazer em servir seus hospedes são melhores recepcionados em disparidade aos bacharéis em Turismo que querem gerir sem ter a experiência do atendimento da forma pratica.


Com essa exclamação Marcelo Safadi causou insatisfação por alguns turismologos que se encontravam no auditório, porém para que se trabalhe o Turismo você deve conhecê-lo por completo, uma coisa impossível, na hotelaria é continuamente visto essa disparidade, para ser um recepcionista precisa apenas falar uma língua estrangeira e experiência em atendimento, para trabalhar na parte administrativa eles buscam pessoas formadas em outras áreas como administração, ciências contábeis, recursos humanos e marketing ao invés de um turismologo mesmo que ele tenha se preparado em todos esses setores na faculdade. Já na parte de serviço para se tornar uma governanta tem que se passar por todas as etapas de camareira, a supervisora ate chegar a chefe do setor, da mesma forma na área de A&B para se atingir a metria tem que começar como cummim, garçom, chefe de fila e maître, o gerente de A&B muitas vezes também não é da área e não passa por essas etapas, coloca-se nesse posto uma administradora, nutricionista ou engenheira de alimentos.



Os formados em gastronomia escolheram essa área pelo prazer de servir e ver a reação das pessoas pelo o que fazem, Safadi se referiu nesse aspecto, já que os estudantes de Turismo apesar de estudar sociologia, psicologia, hotelaria, agencia de viagens, nos hotéis/pousadas/resorts não se querem a técnica, se preza o serviço, o contato e a satisfação de transpor o que há de melhor para tornar a estadia do turista e o desejo que ele sempre sonhou. O turismologo mesmo trabalhando na hotelaria ele só conseguira crescer numa empresa através do seu trabalho e não pela sua titulação.




OBRIGADA POR LEREM!